Um dia desses estava escorada na janela quando uma libélula pousou a poucos centímetros do meu braço. Na hora, eu não sabia ao certo se aquilo era uma libélula, ou uma cigarra, ou um inseto gigante qualquer. Nunca soube, e os poucos segundos que perdi tentando classificar o bicho foram suficientes para que ele sumisse. Bateu asas e escafedeu-se entre as árvores.
Eu tenho uma ligação especial com libélulas. Foi correndo atrás de uma que eu me estabaquei no chão, fraturando uma costela, perfurando o baço e sofrendo uma hemorragia interna que por pouco não me matou. Tinha cinco anos. Tudo que eu queria era vê-la de perto, justamente para me certificar se o bicho em questão era cigarra, libélula ou “seja-lá-o-que-fosse”.
Se a necessidade de classificar uma libélula me rendeu duas semanas de internação, imagino o que me aconteceria se eu ficasse tentando classificar meus sentimentos. Inclusive, me cansa ver por todo lado gente tentando diferenciar um sentimento do outro. Se é amor, amizade, namoro, rolo, beijo, ficada, passatempo... Não tenho a mínima idéia, e nem quero ter! São inúmeras as espécies de relacionamento e a tentativa de classificar a todo minuto algo que, ás vezes, é simplesmente inclassificável pode resultar em muito mais do que um baço perfurado.
Ás vezes, perdemos a noção de que cada minuto da nossa vida pode ser o derradeiro, de que cada ligação telefônica pode ser a última, bem como aquela pessoa, de quem eu/você ainda não sei/sabe se gosto/gosta, pode ser o meu/seu último romance.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Sobre amor e libélulas.
sábado, 26 de setembro de 2009
Meu filme , minha vida, livro aberto.
Eu devia ter uns 9 anos. Tinha acabado de ver algum filme com o Van Damme. Era tipo "Leão Branco", "Dragão Negro", enfim... qualquer filme cujo título seguia a fórmula "nome de animal + cor + subtítulo contendo a palavra KICKBOXE. Lembro de ter colocado um calção preto e saído chutando tudo e todos pela casa. Incansável. Queria ser igual o filme. Queria ter um romance com um coreano qualquer e me envolver em um triângulo amoroso bizarro, que me colocaria numa sinuca de bico da qual a única solução era sair QUEBRANDO A CARA DE TODO MUNDO. Fui dormir nesse dia, sem ter espancado ninguém. "Droga" - pensei.
Tem sido assim. Cada vez mais. Os filmes, sempre eles, servindo de matriz para os meus dias.
Eu tenho um problema. Na verdade, vários, mas o problema em questão é que eu quero sempre transformar acontecimentos convencionais em eventos cinematográficos, aquela velha história de "ter coisas pra contar". Mas isso cansa. E me deixa desapontada, quando eu não consigo (momento comum pacas). Hoje em dia me pego gostando cada vez menos dos documentários, pulando de cabeça num mundo ficções, de aventuras. De cabeça mesmo. Os coadjuvantes vem e vão, e eu gosto muito de contracenar. Uns vem e nem se vão. Ficam por aí, até que surja uma nova cena para eles estrelarem. É, passei a encarar os dias como se fossem cenas, as horas como se fossem takes, os momentos como se fossem quadros. E não é tão legal quanto parece. Já já explico o porquê.
É que assim eu acabo deixando passar despercebidos momentos não-cinematográficos, mas que, nem por isso deixam de ser bonitos. Pra quê ficar forçando? Um simples beijo é substituído por um amasso na mais torrencial das chuvas, numa parada de ônibus aleatória na Av. Brasil. Um pedido de desculpas vira um EP. Enfim, é uma pressão infinita, pra extrair de todo e qualquer momento o mais intenso dos sentimentos. Cansativo. Suspeito que isso seja culpa das músicas, da abordagem que eu uso nos meus relatos, desse super-realismo-exagerado.
Mas, mesmo assim, eu continuo. Firme e forte. Diretora, produtora executiva e roteirista do filme da minha própria vida. Nada mais justo (e rentável) do que dar a ele um andamento coeso, e cativante. Procuro sempre ser cativante. E isso também cansa.
Mesmo reclamando de tudo isso, prefiro permanecer assim. Prefiro distribuir VUADÊRAS e PONTA-PÉS por aí, trajando um belíssimo calção PERUSSO do que ser coadjuvante de uma história que está totalmente fora do meu controle, uma mera espectadora, ausente, impotente. Posso não controlar, mas quero protagonizar isso tudo, de cabo a rabo. E ninguém vai tirar de mim esse papel, afinal, O FILME É MEU, PORRA.
Me encontro em um momento de recomeço. Reborn. Meu filme foi documentário por muito tempo. Chega.
Hoje sou ficção. E prefiro permanecer assim, protagonizando um filme sem fim, dirigindo coadjuvantes aleatórios e invariavelmente RICOS, COMPLEXOS, PROFUNDOS.
É. Eu cresci. E te perdendo eu cresci tanto que hoje tenho certeza de que não quero mais te encontrar :)
sábado, 19 de setembro de 2009
i gotta feeling!
Para a infelicidade de algumas pessoas eu to bem, to muito bem. Apesar de as vezes olhar pro passado e sentir uma leve dor no peito por ter feito algumas muitas coisas erradas e esquecer de quem eu realmente era, ter acreditado e confiado nas pessoas erradas, eu sinto muito que eu tenha humilhado, e ter feito mal a certas pessoas, sinto muito, mesmo, eu guardei raiva durante muito tempo, isso não é bom. Mas eu tenho uma nova vida, um novo corte de cabelo, uma nova cor nos meus olhos, eu tenho algumas regras a cumprir, eu tenho boas notas, eu tenho amigas verdadeiras do meu lado, eu tenho um celular lotado de mensagens apaixonadas e um desejo muito grande de mudar. Mudar as coisas a minha volta, mudar o conceito que as pessoas tem de mim, ou melhor, de uma Jainnye que morreu, que não existe mais. É claro que eu procurei ajuda, eu não conseguiria subir até a boca do poço se não tivessem me jogado um bom tanto de terra em cima. Eu fui na psicóloga , conversei , chorei, passei mal , esperneei, coloquei a raiva pra fora, xinguei, matei cachorro a grito. Tive calma, paciência, entrei em acordo. Resolvi o problema mais difícil. Fui no centro de estética, fiz avaliação, me decepcionei, murmurei, reclamei, disse que NÃO PRECISAVA DE 30 QUILOS A MENOS, me olhei no espelho, mudei de ideia, me conformei, comecei o tratamento. Resultados apareceram com o tempo. Com tudo eu aprendi uma coisa, se você quer mudar, você muda. A pessoa só não muda porque não quer, por que TODO MUNDO tem capacidade pra ser o que quiser, basta querer! :)
sábado, 12 de setembro de 2009
Jainnyê , eu descobri.
Seu problema é medo. Você tem medo de crescer, de amadurecer, de ter responsabilidades, de viver no mundo real. Você morre de medo! Você não vai se matar, nem vai cortar fundo o suficiente. Você pode até pensar em se matar, mas você não vai. Porque você tem medo. Você quer ser uma criança para sempre.
Essa não é a vida real, você compreende? Essa é a sua terra do nunca. O lugar onde você não tem responsabilidades, onde você faz o que bem entender, onde você não cresce! O lugar que você abandonou...
A única pessoa na posição de desistir aqui é você. A única pessoa capaz de superar a pressão das ondas e nadar até seu caminho para a areia da praia é você. Não são os remédios, não são as drogas, não são as mentiras, não são os cortes e principalmente não é homem nenhum. Esses são seus vícios, seus escudos, seus esconderijos... E como é que você vai crescer se continuar brincando de esconde-esconde consigo mesma? Vamos, cresça. Mostre quem você é, mostre que você não é tão boa assim. E não importa em qual cômodo da casa você se esconder, o medo de tentar sempre vai te achar.
"Quando eu acordar quero que esse medo vá embora pra nunca mais voltar!"

